Vamos falar sobre o futuro do consumo?

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Vamos falar sobre o futuro do consumo?

Preparem-se, porque as novas gerações vem ainda “piores” nesse quesito, onde para eles, Montblanc é só uma caneta, Ferrari é só um carro e Gucci é só uma bolsa

Eu tenho muita sorte de poder conviver com pessoas especiais dentro desse mercado publicitário. Pessoas do bem, que conhecem muito e eu tenho o prazer de chamar de amigo, um desses é o Fernando Kimura. Como aprendo com essa fera, desde que ele foi um dos pioneiros a falar de neuromarketing no Brasil. Kimura, se reinventou e hoje fala muito mais de consumo do que apenas de neuromarketing, tema que ele conhece como poucos.

Ele publicou uma Pesquisa da Nielsen, que aponta crescimento da consciência dos consumidores brasileiros e suas preocupações com ingredientes utilizados na fabricação de produtos, maior conscientização frente a trabalho escravo e teste de produtos em animais.

Não é nada novo, e muito menos um “novo normal” que a pandemia mexeu com a cabeça das pessoas. As marcas que se preocuparam, nesse triste período, em cuidar das pessoas foram as que mais ganharam em reputação de marca. E isso é um movimento do consumidor que não voltará como era antes. Ou as marcas aprendem a conviver com essa nova sociedade que nasce, não apenas mais digital do que nunca, mas muito mais consciente do que desejam das marcas que consomem.

E preparem-se, porque as novas gerações vem ainda “piores” nesse quesito, onde para eles, Montblanc é só uma caneta, Ferrari é só um carro e Gucci é só uma bolsa.

Abaixo, vou pegar os slides que Kimura postou em seu Instagram e dar a minha visão dos dados apresentados. Em negrito o dado, abaixo, minha visão.

65% não compram de empresas associadas ao trabalho escravo

Eu acho 65% pouco, deveria ser 100%, mas vivemos em um mundo em que as pessoas pensam apenas em si. Eu sei de mim, eu não compraria jamais, mas fica aqui a dúvida, se a marca XXX tem uma blusa linda, por R$ 990,00, mas depois de um escândalo de que suas fábricas praticam o trabalho escravo, essa blusa cair para R$ 330,00… e quem pagou o valor total antes do escândalo, vai deixar no armário? Nem tudo que reluz é ouro, né?

Entretanto, é preciso entender que as notícias correm muito mais rápido que há anos atrás. Se antes apenas um jornalista poderia fazer uma matéria para sair no jornal, que poderia prejudicar um importante anunciante – ou o maior concorrente dele – hoje, qualquer pessoa com um smartphone na mão produz uma matéria, talvez até melhor que o jornalista, e publica em diversas plataformas. No Brasil, há mais de 200 milhões de smartphones ativos, há saber.

42% dos consumidores estão mudando seus hábitos de consumo para reduzir impactos no planeta

Queria muito acreditar nesse fato. Não estou dizendo que a Nilsen errou ou manipulou, muito pelo o contrário, é uma das mais sérias empresas do mundo de pesquisa, mas quem respondeu, pode ter dado aquela resposta padrão para ficar bem consigo mesmo, porém, uma coisa é fato, talvez nem apenas pelo impacto ambiental, mas é fato que, ainda mais para as novas gerações, o desejo de ter um carro está cada vez menor, sendo esse o “grande vilão” da poluição, porém, se as marcas aderirem a esse movimento, de produzir produtos que agridam menos o ambiente e de criar processos na mesma onda, todos nós ganhamos. O Google, por exemplo, quer em alguns anos ter 100% da sua energia renovável. Que sirva de exemplo.

58% das pessoas não compram produtos testados em animais

Aqui vai outro ponto positivo. A tecnologia está muito avançada para termos que testar tudo em animais. Não sou da área de pesquisa de produtos, mas acredito que há sempre um jeito, porém, como disse acima, não é algo que está “escrito na pedra” uma vez, que se precisar testar a vacina contra o Covid-19, por exemplo, em animais, ninguém vai se importar, bem, na verdade a lacrolância vai, mas eles só são ouvidos por eles mesmo, não representam o que as pessoas que pensam acreditam.

Pessoas mudam, marcas precisam mudar

Tenho falado muito sobre a era que estamos, na era do diálogo. Estamos vivendo uma era em que pessoas e marcas precisam, cada vez mais, conversar. E muito! A era do Social Listening, do BigData, do Social CRM, dos dados. A era em que é preciso ouvir mais e falar menos, a era em que as pessoas estão cansadas de marcas querendo empurrar, goela abaixo, um produto que elas não querem e não precisam.

Vivemos na era em que marcas precisam ouvir mais, seduzir mais ainda, inspirar ainda mais para depois fazer uma venda. Uma era de um consumidor mais antenado, cada dia mais tecnológico e mais ligado a propósito, da marca e ao seu. Esse é o novo “match” que as marcas precisam ter.

Fonte: https://www.mundodomarketing.com.br

15.05.2021

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